quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sangue

Texto retirado do Caderno de Saramago, escrito pelo próprio Saramago!


Todo o sangue tem a sua história. Corre sem descanso no interior labiríntico do corpo e não perde o rumo nem o sentido, enrubesce de súbito o rosto e empalidece-o fugindo dele, irrompe bruscamente de um rasgão da pele, torna-se capa protectora de uma ferida, encharca campos de batalha e lugares de tortura, transforma-se em rio sobre o asfalto de uma estrada. O sangue nos guia, o sangue nos levanta, com o sangue dormimos e com o sangue despertamos, com o sangue nos perdemos e salvamos, com o sangue vivemos, com o sangue morremos. Torna-se leite e alimenta as crianças ao colo das mães, torna-se lágrima e chora sobre os assassinados, torna-se revolta e levanta um punho fechado e uma arma. O sangue serve-se dos olhos para ver, entender e julgar, serve-se das mãos para o trabalho e para o afago, serve-se dos pés para ir aonde o dever o mandou. O sangue é homem e é mulher, cobre-se de luto ou de festa, põe uma flor na cintura, e quando toma nomes que não são os seus é porque esses nomes pertencem a todos os que são do mesmo sangue. O sangue sabe muito, o sangue sabe o sangue que tem. Às vezes o sangue monta a cavalo e fuma cachimbo, às vezes olha com olhos secos porque a dor lhos secou, às vezes sorri com uma boca de longe e um sorriso de perto, às vezes esconde a cara mas deixa que a alma se mostre, às vezes implora a misericórdia de um muro mudo e cego, às vezes é um menino sangrando que vai levado em braços, às vezes desenha figuras vigilantes nas paredes das casas, às vezes é o olhar fixo dessas figuras, às vezes atam-no, às vezes desata-se, às vezes faz-se gigante para subir às muralhas, às vezes ferve, às vezes acalma-se, às vezes é como um incêndio que tudo abrasa, às vezes é uma luz quase suave, um suspiro, um sonho, um descansar a cabeça no ombro do sangue que está ao lado. Há sangues que até quando estão frios queimam. Esses sangues são eternos como a esperança.

Intés...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Livro dos Lobisomens - Sabine Baring-Gould


Este clássico do escritor inglês Sabine Baring-Gould desvenda os mistérios sobre um dos mitos mais cativantes do ideário europeu: o lobisomem.Em "O Livro dos Lobisomens", o autor lança mão dos anos dedicados ao estudo do folclore bretão para construir um painel rico e detalhado da licantropia. Abordando temas polêmicos e controversos, este é, até hoje, um dos mais completos e essenciais compêndios sobre os lobisomens e sua mitologia. Indispensável para compreender as várias facetas, de terror e atração, existentes por trás da sombria figura que é meio homem, meio animal e surge em noites claras de lua cheia.

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Efígie do Dragão


Mais um grande lançamento da Design Editora!

“A efígie do dragão” com lançamento nesta quarta-feira (22/7) em Jaraguá do SulFábula recria mitos e devolve fantasia à literatura.

Na próxima quarta-feira, dia 22 de julho, às 20h no Museu WEG (Av. Getúlio Vargas, 667, centro, Jaraguá do Sul/SC), o catarinense radicado em Portugal Elcio H. Pereira Jr. apresenta seu livro “A efígie do dragão”(Design Editora, 232 pgs, R$ 25,00), fábula que pretende encantar jovens e adultos.Num velho mundo, anterior a Mesopotâmia, cavaleiros e dragões lutam contra seus medos e desejos, numa narrativa ágil e cativante.“Muitas vezes, relendo os capítulos que ia construindo, surpreendia-me com o rumo que a história acabara tomando e, até, quase duvidava de haver escrito várias das partes. No final, mesmo após considerar a história concluída e depois de revisá-la inúmeras vezes, ainda levei um tempo para me dar por satisfeito. No peito, tive a sensação de ficar um espaço vazio e até senti uma quase saudade daqueles personagens, que fizeram parte do meu dia-a-dia por tanto tempo” afirma o autor.
Sobre o autor:
Nascido em 8 de maio de 1959 em Florianópolis/SC, Elcio divide seu tempo entre a engenharia (sua profissão), a poesia, as artes visuais e a música. Atualmente reside em Maia, na região de Porto, em Portugal. A Efígie do dragão é seu livro de estreia.Informações: atendimento@designeditora.com.br

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Lançamento Blablablog - Nelson Oliveira

Essa dica eu peguei do blog Arlequinal, que pegou da Andrea Del Fuego...rsss

Quando o assunto é blog, vale tudo!

O que seria de nós sem o Nelson de Oliveira? Nada. Dessa vez ele organizou uma antologia com textos publicados em blogues, um post como esse. Não são textos melhorados do blogue, não são pseudo-posts, são os próprios retirados de seus respectivos sítios, com suas respectivas imagens, seus respectivos donos. Com a palavra, Nelson:
A palavra é febre.
Quem pegou o início desse fenômeno de comunicação que em pouco tempo se tornou a blogosfera sentiu em primeira mão um tipo diferente de febre. A febre da liberdade digital. Da democratização da palavra escrita. Essa febre, essa excitação, essa compulsão é tão contagiante que, uma década depois, o número de blogues no ciberespaço tem crescido de forma exponencial. Atualmente existem perto de 140 milhões de blogues e cerca de 120 mil são criados diariamente (1,4 por segundo).
A maioria das pessoas utiliza os blogues como um diário pessoal, porém eles podem veicular qualquer tipo de conteúdo e ser usados para os mais diversos fins: artísticos, jornalísticos, científicos, políticos, religiosos, corporativos, comerciais etc. A blogosfera ampliou o mundo natural, social e mental. Como eu disse, a palavra é febre. Muitos a amam, muitos a odeiam. É verdade: tem gente que passa várias horas diárias cultivando seu espaço virtual. Mas tem gente que detesta a cultura blogueira. Além da possibilidade de interação quase instantânea com os visitantes, a grande diferença entre os blogues e a mídia tradicional, impressa, é a velocidade. Um artigo que levaria horas, dias ou semanas para ser publicado numa revista de papel pode estar disponível em poucos segundos para a leitura num blogue.
O critério usado na seleção dos blogueiros cujos posts compõem este livro foi o mais subjetivo possível: meu gosto pessoal. Por ser escritor, eu preferi ceder a essa inclinação e ficar na deliciosa esfera da crônica e da confissão literária. Os vinte e um blogueiros convidados para participar desta antologia são todos escritores: onze veteranos de prestígio reconhecido, com livros já publicados, e dez bons estreantes a caminho do reconhecimento. A cada um deles eu pedi que selecionasse os melhores posts publicados nos respectivos blogues. O resultado: dezenas de crônicas e confissões de escritores deliciosamente febris.
Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra (SP). É professor universitário, editor e autor dos livros Ódio sustenido (Língua Geral, 2007), Algum lugar em parte alguma (Record, 2006), A maldição do macho (Record, 2002) e Subsolo infinito (Companhia das Letras, 2000), entre outros. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas, o da Fundação Cultural da Bahia, duas vezes o da APCA e o da Fundação Biblioteca Nacional. Atualmente coordena, em diversas instituições, oficinas de criação literária para autores em início de carreira.


Nelson de Oliveira nasceu em 1966, em Guaíra (SP). É professor universitário, editor e autor dos livros Ódio sustenido (Língua Geral, 2007), Algum lugar em parte alguma (Record, 2006), A maldição do macho (Record, 2002) e Subsolo infinito (Companhia das Letras, 2000), entre outros. Dos prêmios que recebeu destacam-se o Casa de las Américas, o da Fundação Cultural da Bahia, duas vezes o da APCA e o da Fundação Biblioteca Nacional. Atualmente coordena, em diversas instituições, oficinas de criação literária para autores em início de carreira.

Os "posteiros":
Ademir Assunção, Ana Paula Maia, Ana Rüsche, Andréa del Fuego, Bruna Beber, Cassy Dias, Claudio Brites, Claudio Daniel, Edson Cruz, Fábio Fernandes, Fabrício Carpinejar, Gabriela Kimura, Índigo, Ivana Arruda Leite, Laura Fuentes, Linaldo Guedes, Marcelino Freire, Marcelo Maluf, Marilia Kubota, Petê Rissatti e Rinaldo de Fernandes.



Inté

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Escuta Zé Ninguém - Wilhelm Reich






Essa é uma das obras mais importantes do século XX, Wilhelm Reich, lutou pela liberdade do "Homem Comum " publicou vários livros, entre eles O Assassinato de Cristo e A Função do Orgasmo, obra que se tornou referência para a psicologia moderna.


Escuta, Zé Ninguém! não é um documento científico, mas humano. Foi escrito no Verão de 1946, para os arquivos do Instituto Orgone, sem que se pensasse, então, em publicá-lo. Resultou da luta interior de um cientista e médico que, durante décadas, passou pela experiência, a princípio ingênua, depois cheia de espanto e, finalmente, de horror, do que o Zé Ninguém, o homem comum, é capaz de fazer de si próprio, de como sofre e se revolta, das honras que tributa aos seus inimigos e do modo como assassina os seus amigos. Sempre que chega ao poder como “representante do povo”, aplica-o mal e transformado em qualquer coisa ainda mais cruel do que o sadismo que outrora suportava por parte dos elementos das classes anteriormente dominantes. Escuta, Zé Ninguém! representa uma resposta silenciosa à intriga e à difamação. Ao ser escrito, ninguém podia compreender que certas entidades governamentais com missão de proteger a saúde pública fossem capazes, em conluio com politiqueiros, de atacar o trabalho de investigação do Instituto Orgone. A tentativa, no ambiente de peste emocional de 1947, de destruir o Instituto (não com provas de erro ou crime, mas atacando a sua honra) levou a publicar, como documento histórico, Escuta, Zé Ninguém!. As circunstâncias mostravam ser necessário, ao homem comum, saber o que se passa nos bastidores de um laboratório científico e, ao mesmo tempo, verificar o que pensa a seu respeito um psiquiatra experiente. Que conheça a realidade, único modo de vencer a desastrosa paixão pelo poder que tanto o obceca. Que lhe seja dito, sem rebuço, que responsabilidade assume, quando trabalha, ama, odeia ou difama. Que entenda como se chega ao fascismo, negro ou vermelho, ambos igualmente perigosos para a segurança dos vivos e para a proteção de nossos filhos. Isso, não apenas porque tais ideologias, vermelhas ou negras, são intrinsecamente assassinas, mas também por transformarem crianças saudáveis em adultos mutilados, autômatos e moralmente dementes. Pois dão preferência ao Estado sobre a justiça, à mentira sobre a verdade, à guerra sobre a vida. Para o educador, para o médico, existe apenas uma fidelidade: ao que há de vivo na criança e no doente. Se esta fidelidade for estritamente respeitada, até os grandes problemas da “política externa”, encontram uma solução simples. Esta “conversa” não pretende apresentar receitas existenciais. Simplesmente, descreve as tempestades emocionais por que passa um homem produtivo e satisfeito. Não visa convencer, aliciar ou conquistar ninguém. Visa, sim, retratar a experiência, como um guache pinta uma tempestade. O leitor não é chamado a testemunhar-lhe simpatia. Pode ler ou não ler. Não encerra quaisquer intenções ou programas. Visa unicamente facultar ao pesquisador e ao pensador o direito ao sentimento e a reação pessoal, nunca disputado ao poeta e ao filósofo. É um protesto contra os desígnios secretos e ignotos da peste emocional que, bem entrincheirada e em segurança, vem capciosamente envenenando o investigador honesto e corajoso com as suas setas ervadas. Mostra como é a peste emocional, como funciona e entrava o progresso. Testemunha ainda a confiança na inexplorada riqueza que se oculta na “natureza humana”, pronta a servir as esperanças do homem.

"Plantei a semente de palavras sagradas neste mundo;

Quando muito depois de morta a palmeira aluir o rochedo;

Quando a magnificência de todos os reis não for mais que podridão das folhas secas;

Através dos dilúvios mil arcas guardarão a minha palavra;

Ela prevalecerá ".

A Resistência - Ernesto Sabato






A espera avança...Esperança!

Fiz esse microconto em 2007, na primeira feira do livro, na oficina de literatura da Regininha Carvalho, estava empolgado com os textos do livro Eraodito de autoria do Mestre Marcelino Freire.

Escrevi com a idéia de que, mesmo parados, inertes, avançamos!

O importante é resistir, morrer na casca é ofensa!

e se resistimos, não recuamos! e se não recuamos, avançamos !

Bem, meus amigos eu dei toda essa volta pra falar do livro do Sabato, que recentemente caiu em minhas mãos e causou em mim uma enorme inquietação.

Nessa obra chamada de Resistência, Ernesto Sabato faz um manifesto em prol da liberdade do homem, o mesmo homem comum de Wilhelm Reich. Sabato nos alerta dos traumas que a TV causa no homem , principalmente nas crianças. A televisão é uma caixa de pandora!A TV nos hipnotiza, seu efeito mágico e maléfico resulta do excesso de luz que nos toma com a sua intensidade. Notem que ela produz os mesmos efeitos nos insetos e também nos grandes animais. E como é difícil afastar-se dela.

É como se perdessemos parte do nosso cotidiano. Temos a sensação de estarmos desconectados com o mundo, o que não passa de um grande engodo. A TV nos afasta cada vez mais da realidade cotidiana. Não temos mais tempo para ver as florações das Acácias, dos Flamboaints que cercam a nossa região . Me espanto em constatar que as pessoas enxergam melhor as paisagens no cinema do que na realidade.Estamos deixando de nos encontramos nos locais públicos, jogar conversa fora, ver as crianças brincando nos parques, para ficarmos trancafiados olhando para uma caixa esperando algo acontecer.

Quando na verdade, ela só nos impede de convivermos de uma forma mais humana. Tragicamente o homem está perdendo o diálogo com os demais e o reconhecimento do mundo que o rodeia, quando é nele que se dá o encontro, a possibilidade do amor, gesto mais supremo desse ser chamado homem.Nós homens estamos nos acostumando a essa invasão sensorial que nos dá a sensação de liberdade e de ligação com o universo, mas na verdade estamos nos matando lentamente. Uma prova disso é só andar pelas ruas de Jaraguá e constatar que não há um bar, sem a TV ligada.

A dica está aí pessoal...mais livro e menos TV ok!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Telephate


Sei muito pouco sobre as integrantes, só sei que são de NY-Broklim e que são novinhas!

Com relação sonoridade posso falar um pouco mais, criam atmosferas bem parecidas com Joy Division, os vocais alternados das garotas e a guitarra nos faz lembrar do Cocteau Twins, muito bom!
Por enquanto só tem um album que se chama Dance Mother.








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so fine, so fine...be mine!




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Inté